segunda-feira, 21 de janeiro de 2013




ENTRE A LOUCURA E A LUCIDEZ

Ela brincava de jogar uma bola invisível.
Mas quem me garante que a bola não existia?
A mulher parecia ter uma vida tão vazia.
E tinha?
Quem sabe.
Vivia das reminiscências?
Vivia de um passado morto?
Era só um anjo torto?
Ela dizia que sentia saudade de um filho... De um menino bonito.
Falava que jogavam bola todo dia.
Todo dia...
Que é feito deste filho, eu pensava.
Que é feito da lucidez?
Que é loucura?
Como alguém pode perder uma coisa tão pura?
Ó, vida dura!
Ela passava os dias ali... cercada por grades...
Ela passava as horas a jogar bola com um menino que morava nos seus sonhos...
Era uma louca?
Tantos anos que a conheci e nunca esqueci.
Era uma louca que vivia ali?

SONIA DELSIN 

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