O PESO DE UM ANEL
Era prata e ouro numa joia
que devia ficar morando no meu dedo anular.
Mas quem diria que ali tão
pouco ele ia ficar?
Usar aquele anel era como
estar num céu.
Hoje ele pesa.
Não em minha mão.
Mas na lembrança.
Na caixinha guardado ele me recorda
que pouco foi usado.
Um anel, uma aliança pode
perder todo o significado.
Pesa tanto na caixinha. Mas é
o peso do desengano.
Já pensei em transformá-lo
noutra joia qualquer.
Estes mimos que enfeitam os
dedos de uma mulher.
O que me segura é o peso.
Ele pesa ainda... melhor
deixá-lo mais um tempo lá guardado.
Sei que faz parte do passado.
Mas não desejo um anel
pesado.
Sei que seria desmanchado.
Remodelado.
Acontece que não quero em meu
dedo nada que tenha me machucado.
SONIA DELSIN

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