segunda-feira, 21 de janeiro de 2013




O PESO DE UM ANEL

Era prata e ouro numa joia que devia ficar morando no meu dedo anular.
Mas quem diria que ali tão pouco ele ia ficar?
Usar aquele anel era como estar num céu.
Hoje ele pesa.
Não em minha mão.
Mas na lembrança.
Na caixinha guardado ele me recorda que pouco foi usado.
Um anel, uma aliança pode perder todo o significado.
Pesa tanto na caixinha. Mas é o peso do desengano.
Já pensei em transformá-lo noutra joia qualquer.
Estes mimos que enfeitam os dedos de uma mulher.
O que me segura é o peso.
Ele pesa ainda... melhor deixá-lo mais um tempo lá guardado.
Sei que faz parte do passado.
Mas não desejo um anel pesado.
Sei que seria desmanchado. Remodelado.
Acontece que não quero em meu dedo nada que tenha me machucado.

SONIA DELSIN

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