segunda-feira, 21 de janeiro de 2013




MINHA NUDEZ

Você deve guardar na lembrança minha pele alva.
A maciez que lhe tocava.
Deve se lembrar das minhas curvas.
Dos detalhes todos.
Não pode ter esquecido meu corpo languidamente adormecido.
Costumava dizer que eu era linda nua.
Mais linda que a lua.
Eu ria, me divertia.
Ser comparada a uma lua é muito divertido.
Ainda mais quando quem brinca é o nosso amado.
Nosso adorado.
Ó, não pode ter esquecido.
Senão tudo que vivemos perde o sentido.

SONIA DELSIN



TUA NUDEZ

Eu te guardo nu nos meus sonhos.
Nu, pela casa, a andar.
Na cama a rolar.
Eu te guardo numa nudez imaculada.
Foi o tempo de eu ser tua amada.

SONIA DELSIN



MÃOS DE SEDA

Elas deslizavam nas costas nuas.
Era um tempo de amar...
Tempo de deitar na rede e acarinhar.


SONIA DELSIN



QUANDO ANDÁVAMOS DE MÃOS DADAS

Os nossos eram caminhos floridos. Coloridos.
Se bem que em alguns trechos ficava bem difícil caminhar.
A vida é assim. Não temos aqui um mar de rosas pra desfrutar.
Pra se viver é necessário os espinhos superar.
De olhos pregados no horizonte imaginávamos...
Sim, imaginávamos que alcançaríamos o arco-íris.
Quantas vezes parávamos a buscar em nossos olhos forças pra seguir em frente.
Acontece que uma pequena vitória nos deixava tão contentes.
Mergulhávamos um na alma do outro e lá dentro encontrávamos tudo que íamos buscar.
Era a força do nosso amar.
Até a estrela mais distante acreditávamos que íamos alcançar.
Mas, sempre um “mas” pode tudo mudar.
E tudo mudou.
O caminho lá atrás ficou...
A nossa história de amor acabou.
Quando andávamos de mãos dadas vivíamos a sonhar...
Hoje em dia novos sonhos procuramos realizar.
E tratamos de enterrar um morto que nunca vai ressuscitar.

SONIA DELSIN



OUTONO QUE CHEGA

Ele chegava me arrepiando a alma.
Vinha com um ventinho diferente.
Prometendo dias frios.
Hoje em dia tudo está mudado.
Nem parece que mudamos de estação.
Está um calorão.
Culpa do homem e de sua ambição.
Outono.
Folhas pelo chão...
Me recorda bosques, praças.
Me lembra blusinhas aconchegantes.
Mocinhas elegantes.
Sim, nos seus trajes quase invernais.
Ao amanhecer e nos finais de tarde pulôveres, boinas, botas, luvas, cachecóis.
Não deixa de ser outono.
E pode-se dizer o que for.
As noites estão mais amenas.
E o outono começou apenas.

SONIA DELSIN 



RUA NUA... LUA... RUA...

Na rua nua meus olhos iam pisados.
Meus sonhos todos estavam desmoronados.
Eu ia assim, meio temerosa da noite.
Meio com dó de mim.
A música que sempre habitou meu coração parecia ter morrido.
Meu corpo todo estava dolorido.
Mas o que doía mais era meu coração.
Um mau vento levou toda minha ilusão.
Quando meus olhos molhados de lágrimas eu ergui pro infinito vi um luar tão bonito.
Então...
Então a rua eu olhei com outros olhos.
Vazia sim, mas não era o fim.
Comecei a cantarolar baixinho.
Lua, espada nua...
Nosso poetinha compôs esta letra linda: Luiza.
Me vi dançando ao luar...
A música no meu coração voltou a morar.
Que vazio que nada!
Em plena madrugada eu me vi enamorada.
De um luar de prata.
Pensei até em fazer uma serenata.
Pra quem?
Pra mim mesma que me descobri feliz.
Quando tudo parecia desmoronar é que eu consegui me encontrar.
Voltei a cantar e dançar...
O mundo não vai parar e nem podemos deixar de sonhar.

SONIA DELSIN 



UM PEDACINHO DE CÉU

É tão pequeno meu jardim.
Mas tão belo mesmo assim.
É um pedacinho de céu.
Nele um beija-flor vive revoando.
Uma borboleta vive borboletando.
E minh’alma...
A esta, vive no jardim cantando.
Como as flores, ela vive festejando.


SONIA DELSIN